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Fotos: Arquivo Pessoal  Osvalinda Pereira

ASSOCIAÇÃO DAS MULHERES DO AREIA II - AMA II

Osvalinda Maria Alves Pereira é uma reconhecida defensora dos direitos humanos e ambientais do Estado do Pará. Moradora do Projeto de Assentamento (PA) Areia, a 40 KM da zona urbana do município Trairão, oeste do estado, se dedica a reflorestar áreas desmatadas, promove práticas agrícolas orgânicas sustentáveis. A agricultora que não mede esforços para fortalecer a comunidade, vive da criação de pequenos animais e da produção de polpa de frutas como o açaí, murici, cajá e acerola. 

 

Presidente da Associação das Mulheres do Areia II (AMA II), seu trabalho desde 2012 desperta a fúria de redes criminosas envolvidas com a extração ilegal de madeira. O Pará é um estado brasileiro com alto índice de desmatamento. Para se ter uma ideia, de acordo com Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), dos nove estados que formam a Amazônia Legal brasileira, o Pará registrou quase a metade de todo o desmatamento verificado entre agosto de 2019 e julho de 2020. O Estado somou 5.192 km² de devastação neste período, um aumento de 34,4% se comparado ao mesmo período da temporada anterior (2018/2019). 

 

A área onde Osvalinda vive com a sua família, ainda que destinada à reforma agrária, é também alvo de disputa de madeireiros e fazendeiros. A posição geográfica do PA Areia faz dele uma porta de entrada para três unidades de conservação - o que intensifica os conflitos. (Veja Mapa de Conflitos). Em torno do assentamento, estão a Floresta Nacional do Trairão, a Reserva Extrativista do Riozinho do Anfrísio e o Parque Nacional do Jamanxim. E as estradas de acesso ao assentamento são usadas para escoar a madeira cortada ilegalmente. 

 

Osvalinda e seu companheiro Daniel Pereira são vistos como uma ameaça aos interesses de quem lucra com a destruição ambiental. Jurados de morte, em 2018, o casal foi surpreendido ao chegar em casa e encontrar no quintal duas sepulturas cavadas com cruzes e seus nomes. Para preservar suas vidas tiveram que deixar a região e permaneceram por um ano e oito meses no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) do governo federal. 

 

De volta ao Trairão desde agosto de 2020, o casal agora conta com uma medida protetiva do Estado. Mas a segurança não é plena. E revelar sua história, mostrando seus rostos, tem sido uma estratégia para evitar possíveis ataques.

 

O que a defensora de direitos humanos e ambientais quer é capacitar a comunidade do PA Areia para que cultivem alimentos em seus próprios terrenos, como forma de subsidiar evitando ter que trabalhar madeireiros, destruindo a floresta, em condições análogas à escravidão. 

 

“Nossa luta é essa, trabalhar para fortalecer agricultoras e agricultores que são muito pobres, não tem ajuda, financiamento, não tem como sobreviver. É tentar resgatar os agricultores para a possibilidade de trabalharem a terra. Meu sonho é ver meus companheiros tendo fartura em suas casas. Meu sonho é resgatar esses agricultores para que eles vejam que a terra deles é produtiva e tem gente pra ajudar.”

 

O Instituto Maíra é parceiro da Associação das Mulheres do Areia II e desde agosto de 2020 tem auxiliado Osvalinda na implementação de estratégias de segurança e no fortalecimento institucional na perspectiva da concepção de projetos de empoderamento legal e agrofloresta. A AMA II é uma poderosa semente e caminhamos juntos para multiplicar o modo de vida sustentável de Osvalinda.